Margaret Pelicano

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Conviver com o Passado



Na noite em que meu pai faleceu, creio que na hora do corte do cordão prateado que ligava seu espírito ao corpo, ele na UTI, eu e a família em casa aguardando notícias, sonhei que entrava com ele numa cidade espiritual. Havia muito sol, muita claridade, ruas pavimentadas, urbanização perfeita, arbustos cobertos por flores.Eu o ajudava a entrar, ele sorria e estava feliz.

Não percebi nenhum resquício de medo nele. A imagem está congelada em minha mente até hoje.Sofremos muito com a partida dele. Nunca estamos preparados para as perdas. Nunca havíamos perdido ninguém tão próximo, graças a Deus.

Hoje, passados cinco anos do falecimento dele, ainda parece que o fato aconteceu agora. Sinto imensa saudade do meu pai. Percebo que muitos ensinamentos que eu repudiava, são necessários e verdadeiros até hoje. Mesmo tardiamente aprendo, em tempo, com as frases dele.

Nossa família maior também foi ficando pequena. Aí começamos a acordar para os valores essenciais da vida, percebemos que alguns desentendimentos aconteceram por motivos tão fúteis e por causa deles, deixamos de viver muitos momentos de alegrias.Hoje não temos mais tempo a perder. Aliás nunca temos. Temos tempo a ganhar e procuramos estar sempre juntos, sempre que possível. Procuramos não ouvir besteiras ditas ao acaso. Esforçamo-nos para perdoar mais.

Há dias em que bate uma saudade imensa, corro para as fotos e choro. Noutros dias, os momentos estão aqui dentro de minha cabeça mesmo, esta, uma bela máquina fotográfica.Tenho hábito de caminhar com nossos dois Yorkshires, e vou rezando e agradecendo a Deus por tantas bênçãos que Ele tem nos dado, hábito adquirido pela filosofia Seicho-no-iê. Agradeço por tudo, por todas as coisas dos Céus e da Terra, e, volto para casa mais conformada, querendo acreditar piamente que o mundo espiritual existe para que possa encontrar de novo alguns bem amados familiares e amigos. Há pessoas que gostaria muito, muito de encontrar: D.Roxa, mãe de D.Janoca. Ambas se foram e como foram amigas, como me aconselharam, como estiveram presentes nos momentos delicados ou amargos de minha vida. Ali, ao lado delas, sempre me senti acolhida. Tia Reny, tio Espir, tia Alice, quantas saudades dos nossos Natais, alegres, fartos, iluminados. Quanta paciência, hem, tia Reny, com a sua casa repleta de convidados. Adorávamos sua casa, por que à frente dela, passavam os congadeiros, de 26 a 30 de Dezembro.

Veja, caro leitor, se não é pra sentir um certo abandono contar a vocês estas histórias. Esta é uma amostrinha bem pequena daqueles que se foram para o mundo espiritual, ou para outras cidades e acabei perdendo o contato. E, não é fácil conviver com tantas lembranças e com o passado, mesmo que o otimismo nos acompanhe, mesmo que estejamos rodeados de flores em lugar perfumado. (Brasília – 13/06/2007
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escrito por Margaret Pelicano às 01:14

6 Comentários:

Meg querida!
A saudade é uma dor bandida mas, a s boas lembranças alimentam a alma da gente, massageiam o coração com muito carinho.
Deus te ilumine e proteja sempre
Beijos
Simone

10 de janeiro de 2008 10:15  

Recebi teu recado e vim te visitar nesse teu cantinho delicioso ... Adorei !..."Conviver com o passado" deu-me saudade de um passado ainda tão presente em minhas lembranças... ja se passaram tantos anos e a saudade continua igualzinha,a dor ja não doi tanto , pq acostumei com ela e entendo bem que a separação é temporária, um dia estaremos juntos outra e outras vezes ...em meu site tenho um poema dedicado ao meu pai, la verás qt é grande a saudade que sinto dele (esta em meus poemas ) tenho também um dedicado a minha mãe e outro a meu irmão ( esta em dedicatórias )deixo aqui meu endereço caso queira me fazer uma visita e ler um pouquinho de minha saudade por eles ...http://www.tullipavermelha-poesias.net/jardim_de_versos.htm

Deixo doces beijos em teu coração
Ana Maria Brasiliense -tullipavermelha

10 de janeiro de 2008 14:33  

Olá Meg
Está muito aconchegante seu cantinho poético, adorei.
Conviver com o passado é sentir saudade, é ter doces lembranças,
é sentir presente alguém que em nossa vida viveu plenamente.
Em meu site tem uma poesia que escrevi para minha mãe: Vazio.
Beijos
Marilda

10 de janeiro de 2008 18:24  

Parabéns amiga, fiquei muito feliz por vc ter um blog, onde poderemos vir ler seus poemas e matar a saudade...sucesso, minha querida beijos azuis em seu coração Luana

10 de janeiro de 2008 21:43  

Não sei se é portuguesa se
brasileira. Gostei do seu blogue,
só hoje soube da sua existência.
Os blogues são, talvez, uma forma
de se falar connosco mesmas e
para os outros. Para aqueles
que nos visitam. È de certa
forma o livro que não escrevemos,
concorda? Passarei a vir aqui,
como se fosse abrir uma janela...
Eu sou portuguesa.O meu email é
Certin@portugalmail.pt, se
quiser contactar mais directamente
ou sei lá, trocar PPs.
Um abraço.

11 de janeiro de 2008 13:33  

Parabéns manamiga,você nem imagina a minha felicidade quando soube hoje que vc tem um blog.Que bom, assim poderemos vir ler seus poemas...sucesso, e muitas felicidades no seu blog que está divino!
Raquel/Lindinha

25 de janeiro de 2008 12:05  

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