Margaret Pelicano

sábado, 26 de setembro de 2009

Leonardo Boff explica:
No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei - Santidade, qual é a melhor religião? Esperava que ele dissesse: É o budismo tibetano ou religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo. O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos e afirmou: A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor. Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:- O que me faz melhor?' Respondeu ele: - Aquilo que te faz mais compassivo aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, muito mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião. Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável!!

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Confesso que vivi(Neruda)

FAÇO POESIA
Margaret Pelicano

Faço poesia por que a alma dói!
Aí escrevo, choro, sinto saudades, desejo....
Faço poesia por que não encontrei remédio
para o desapego, para o desassossego...

E nesta busca incessante de amar
e de ser amada de qualquer jeito,
controlo as ânsias que invadem o peito!
Converso comigo mesma sem preconceito...

Escrevo! Escrevo mesmo! Está na alma
esta falta de calma, esta ansiedade
por querer melhorar o mundo...

E antes tande que nunca, vou fundo:
falo de todo tipo de amor com alarde
deste amar que em meu peito arde!

Brasília - 14/07/2009

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escrito por Margaret Pelicano às 23:05 3 Comentários

O GIF é presente de Natal da Marilda...

SOU DO TEMPO...
Margaret Pelicano

Nasci no tempo em que existiam sapateiros e sapatarias. Época de poucos sapatos. Quando eles furavam pelo uso constante, ou cambeteavam, fazia-se meia sola ou tracava-se o salto.
Nesta época, remendavam-se roupas para que elas durassem mais e de tanto remendar dizia-se: 'remenda-se mais uma vez, dura mais um mês.' Comprava-se um ovo de pedra para colocar na ponta das meias ou no calcanhar e remendá-los corretamente também. Sou de terra de muito frio, descartar meias, jamais. As meias finas das mulheres, tinham uma bela costura atrás, deixavam as panturrilhas lindas, chamavam a atenção, eram sensuais. Quando principiavam a desfiar, colava-se o fio teimoso com uma gotinha de esmalte. Ela durava mais umas boas lavadas, embelezando as pernas torneadas..
Faziam toalhas de saco curtido, bem branquinho. Como eu era criança e no interior eram poucas as TVs, as adolescentes divertiam-se fazendo bainhas, franjas e bordando ponto cruz nas toalhas de saco à noitinha, e o dedo de prosa se esticava, enquanto se trabalhava.
Era época difícil, de pouca indústria, de viajantes indo de cidade em cidade, como ciganos, oferecendo os seus produtos. Época do meu pai viajante, às vezes de calçados, noutras de alumínio. Quando ele voltava das suas longas viagens costumava trazer caixas de pêssegos que derretiam na boca, latas de vinte litros com balas variadas outras repletas de biscoitos maizena e maria. Como eu ficava orgulhosa dele. Distribuía para os amigos da vizinhança que até hoje se lembram disto.
Costureiras eram famosas. Íamos às lojas para escolher o tecido, comprado à metro e faziam-se roupas sob medida. Conseguir um espaço com estas modistas era entrar na agenda de meses e aguardar. Aí usávamos uma psicologia inata: era agradar, elogiar e presentear a artista.
Naquela época, os ternos eram de linho branco, difíceis de lavar e passar, e tinham que estar quebrando de tão alinhados. O fogão era de lenha com forno acoplado. A comida saborosa, cozida lentamente; as frutas mais doces. Tirava-se o macuco do pé com caco de telha, quando este encardia por andarmos descalças.
Preparava-se o Natal com muita antecedência, raspando figos, pêssegos; ralando cidra, encomendando muitos litros de leite, para os doces. Um mês antes era uma faina: fazer pão com torresmo, roscas de desfiar no boca de tanto sovar, rosquinhas de nata e pinga, palitos 'champanhe' e armazenar em latas de 20 litros, sempre muito cobiçadas por serem hermeticamente fechadas e não deixarem nada se estragar. O porco do ano, engordado, coitado...era morto longe dos nossos olhos, limpo temperado, transformado em saborosas linguiças e a carne... guardada em banha...o torresmo trincava na boca
Sou do tempo em que as mulheres riam com 'glamour', educadamente. Como fujo à regra, acho que quebrava taças de vidro (e não de cristal!) com minhas gargalhadas que minha mãe nunca conseguiu educar.
Sou do tempo de sair da Escola de Comércio à noite, voltar para casa com ruas pouco iluminadas e ter medo de assombrações, nunca de gente; de enfiar a faca na bananeira e no dia de Santo Antônio retirar, para ler ali gravado, o nome do namorado.
Sou do tempo em que os estudantes desfilavam no 7 de setembro e tinham noção de nacionalidade. Como disciplina estudavam Moral e Cívica no Ensino Médio, e Estudo dos Problemas Brasileiros na faculdade.
Sou do tempo de torrar e moer café em casa e ele não fazer mal. Sou do tempo em que os homens fumavam cigarro de palha e não me lembro deles morrerem com câncer de pulmão.
Sou do tempo do Crush, da limonada caseira, das primeiras calças Lee, do tênis Bamba, de charretes, carros de boi. Sou do tempo da vergonha na cara, que nunca perdi, graças a Deus, pois hoje poderia não mais encontrar.

Brasília - 12/07/2009

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escrito por Margaret Pelicano às 23:03 7 Comentários

Deus é amor....


UM DIA VOCÊ CUIDOU DE MIM...
Margaret Pelicano

Não era pra gente envelhecer juntos?
Um cuidando do coração do outro,
Não permitindo a esclerose avançar sobre o sentimento?
Curando feridas, evitando lamentos?

Pois é, você foi o maior dos meus casos,
os abraços mais confortadores por tanto tempo,
o amor mais cobiçado, pelo qual tanto lutei
e de repente tudo acabou, dispensei!

Hoje, ouço o Roberto, vêm-me lágrimas
aos olhos cansados! Os minutos, as horas
passaram tão rápidos...a vida se arvora
de responsabilidades e seriedades....

E eu percebo um gosto acre na boca
misto de solidão e desengano
saudades dos momentos de paz e segurança,
alegrias e muitas mudanças...

Ele, o amor, não mudava, era firme, constante,
agora um vazio me invade, nem o Roberto
preenche com suas músicas o que me falta,
falta-me do amar o teto, o jardim, as flores...

Nunca mais juntos, paralelas que se distanciaram,
filhos, cada um pro seu lado,
resta-nos a música, as lembranças em cores,
os sonhos em suaves passos de dança...

Um dia você cuidou de mim
eu cuidei de você,
era cheiro de jasmim,
não precisava de respostas para os por quês...

Hoje, cuido-me, até quando?
Quem cuida de você?
Sem respostas plausíveis envelhecemos
Quem diria, parece que nem juntos vivemos...

Brasília - 11/07/2009


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escrito por Margaret Pelicano às 23:01 0 Comentários

Amo Animais

PARA GRACE
Margaret Pelicano

Hoje me deu uma baita saudade
da Grace, carinhosa e gentil,
espalhando alegria por onde passa,
correndo atrás dos esquilos à mil,
roendo glutona cada grão de ração,
desfiando o frango com os dentes,
adorando arroz e feijão!
Parece um touro de forte,
um bebê na contramão...

Hoje me deu uma baita saudade,
do ronco da Grace à noite,
do ronronar feito gato dormindo de dia...
Ela é uma 'boxer' albina,
uma cadela menina!
Adora sentar-se em meu colo
afundando-me no sofá da sala,
ou exigindo seu lugar no canto guardado,
dando o patarrão
para eu puxá-la e abraçá-la ...

Se tudo der certo,
irei vê-la em setembro, outubro, novembro,
nem sei!
Deus é quem sabe!
Gritarei do lado de fora: Graceeeeeeeeee!...
e ela começara a pular dentro de casa!
Mais uma menina na família,
ela e Pandorinha são demais,
fazem nossos dias mais felizes,
principalmente quando as vemos 'face to face!'

Até mais, Graceeeeeeeeeeeeeeee....

Brasília - 25/06/2009

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escrito por Margaret Pelicano às 22:52 4 Comentários

sábado, 13 de junho de 2009

Tudo é Relativo

DA RELATIVIDADE DAS COISAS
Margaret Pelicano

Achei que só a beleza era relativa!
Engano! Felicidade por exemplo é assim:
se estiver com fome e saciá-la, serei feliz!
Se doer e o remédio curar, estou feliz;
Se amar, mesmo sem ser correspondida, estarei feliz!
Sim, por que amar é verbo intransitivo!

Bom seria se fosse bitransitivo,
aceitando os dois objetos do desejo;
porém, não o sendo, fica esta prosa/poema roendo
minhas entranhas desejosas de beijos...
Continuo feliz, sem o pejo
de dizê-lo aos quatro ventos!

É que um dia, o amor cansado da procura,
acomoda o coração na ventura
de compreender que o prazer
está em doar-se até o infinito,
mesmo que o egoísmo soluce o contrário:
- ah! amor bandido!

E, não bastasse esta compreensão das coisas,
continuo dizendo e repetindo:
a vida é vazia e cheia,
a alegria deve ser aproveitada,
mesmo estando morta de cansada;
E, os amigos do coração nunca vão!

amar é estar em paz!
Nada é totalmente fugaz!
Tudo soma!
Basta compreender o genoma!
Sendo assim, relativo, é o raio que o parta!
Tirando a violência,
quase tudo 'faz farta'!

Brasília - 11/06/2009

Rosa do Jardim da amiga do coração, Abadia


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escrito por Margaret Pelicano às 08:32 0 Comentários

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tudo é bênção na evolução....

CHUVA DE BÊNÇÃOS

Ela se derrama sobre mim a cada dia,
desde a cura para as feridas da alma,
até a doçura da sinergia,
e o acalanto da tristeza...
...O bálsamo das ervas mais finas,
chove em minha redondeza!...

Chove de tudo sobre mim,
desde o dia iluminado,
até a possibilidade de cerrar a janela
com os pingos prateados caindo sobre meu rosto...
Chove o frango com quiabo e angu
o suco de limão mais gostoso

o arroz com pequi saboroso,
o urubu fantasiado de passarinho
sobrevoando o Taj Mahal,
os grilos que se escondem
abaixo das ervas daninhas do meu quintal
e as porradas que recebo...etc e tal...

Com estas últimas aprendo a mais não poder
aprecio desafios e penso: hei de vencer!
Chovem lágrimas nos olhos
devido a tanta dificuldade...
as gotas ficaram doces
quando a vitória trouxe a lealdade...

Chovem bênçãos sobre mim
do nascimento até a mocidade
tropeço e me machuco,
pareço estar em ringue boxeando o vazio,
saio repleta de lanhos invisíveis,
traumas repletos de frio...

Não importa!
Continua chovendo: sangue,
sucos, água purificada...
Quem sou eu para reclamar?
Quero mais é dar risada!
A chuva cai sobre todos,
até sobre a dor dilacerada...

Chove chuva!
Chove rosas, hortências, manacás
por que as flores enfeitam o enterro
da velhice apaziguada:
Vim, vi, venci!
Voltarei à pátria amada!

Brasília - 05/05/2009
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CONTRA A CARGIL em defesa da Amazônia

A AMAZÔNIA IMPLORA SOCORRO
Margaret Pelicano

A Amazônia passa por uma inquisição violenta,
virou a bruxa da modernidade
e não aparece sequer uma fada madrinha
para acabar com esta calamidade!

Atenção vegetarianos: A soja destrói a Amazônia;
ela está sendo comida, voraz e cegamente
para alimentar o gado e as Gentes,
desaparece debaixo do nariz de cada um: na boca!

Esta louca que não pára de engolir,
a cada minuto, uma área de floresta tropical
equivalente a um campo de futebol,
é queimada para dar lugar a um pasto imoral

cuja produção de carne total
será equivalente a um engradado
com 257 hambúrgueres. Atenção carnívoros!
Ela vira bife, churrasco desastrado!

Se a indiferença continuar
ninguém terá história para contar.
As gerações futuras imaginarão a Amazônia!
Ela terá sido o lar da maior biodiversidade
do século XX, isto é verdade!

Indiferença jamais! Lutemos por ela!
A Amazônia é nosso maior bem vegetal e animal
Exigimos a presença deste estado servil
contra a ditadura da Cargil!

Brasília - 14/05/2009

Cargil= empresa que planta soja para alimentar o gado, aves, suínos no Brasil

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escrito por Margaret Pelicano às 08:35 0 Comentários

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Em busca de sinfonias

OLHAR É VIVER
Margaret Pelicano

Depois que morrer, voltarei aqui
tantas vezes olhei e não vi,
me perdi em considerações tantas
e confesso: nem sei se vivi!

Cheirei e nem senti o perfume das flores,
olhei e não vi tantos amores
trabalhei tanto que adoeci,
ouvi sonoridades, mas sinfonias...perdi...

Por isto, virei sempre que possível,
resgatar sensações, pessoas, delícias,
corrigir as pedras, limar encostas;

das pessoas, enlaçar o valor incorrigível,
cruzar afetos, considerar primícias,
beijar o fado, circundá-lo frente e costas!

Brasília - 14/02/2009

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escrito por Margaret Pelicano às 19:26 0 Comentários

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

As Sombras da Alma nos Marcam profundamente!

SOMBRAS
Margaret Pelicano

Estou com a garganta entalada!
Lágrimas descem sobre o rosto decomposto!
Não consigo passar para o papel o desgosto,
o medo, a ansiedade na alma espalmada!

Os receios, irmãos do grito descontrolado,
batem à porta em desconforto,
e o lápis treme entre os dedos espraiados
garatujas são porto do destino morto,

onde o sonhado não foi classificado
em primeiro lugar! E as sombras tomaram conta
de uma mulher que queria e pouco fazia...

Hoje, o berro preso anseia se soltar,
mas é sufocado, acovardado ao acordar!
Desmaia! Finge viver para se encontrar!

Brasília - 20/01/2009

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escrito por Margaret Pelicano às 10:57 3 Comentários

Bem Estar



VESTIDO VELHO
Margaret Pelicano

O vestido velho e sorrateiro
na sua humildade de pedreiro
um trabalhador braçal e companheiro
veste meus dias de dona do lar...
fresquinho por assim estar a envelhecer,
cobre-me as vergonhas
quando tenho que descer com os cachorros,
ir à padaria sem mistérios e pudor,
acompanha-me na cozinha,
fica com cheiro de almoço
repete-se quase todo dia,
como jaleco de doutor...

á tardezinha, depois da luta,
o vestido generoso
vai pra máquina de lavar
tirar o suor da labuta...
...com Omo fica de novo cheiroso,
vai para passar porque não é um rei deposto,
é desejado por ser fresquinho,
alegre, sem colarinho,
com flores delicadas...
ah! vestido velho, pela manhã,
sempre uma nova alvorada,
roupa desejada
delícia de bem estar!

Brasília - 24/11/2006

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escrito por Margaret Pelicano às 10:43 3 Comentários

Um abraço cura a alma....

ABRAÇA-ME
Margaret Pelicano

Abraça-me quando eu mais precisar
para que sinta o conforto do seu amparo;
Abraça-me quando eu menos precisar,
para que sinta o sagrado no amar!

Assim, eternamente confiante e segura
o abraço é conforto e frescura
amizade sem par, janelas abertas e luar,
ondas de amor que vibram em todas as horas...

Enlaça-me de forma a conquistar carinho
a permitir o perdão das ofensas
a construir seguros ninhos,
não viver de aparências....

Enlaça-me para ser presença que marca
e não ausência que destrói...
Enlaçar constrói alicerces firmes
que o tempo não corrói...

Brasília - 19/01/2009

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escrito por Margaret Pelicano às 10:12 1 Comentários

OFENSAS
Margaret Pelicano

A dormência me assola e luto;
luta fatídica, disparatada e desleal
contra o destino obtuso, arguto,
quarta-feira de cinzas, santo sem pedestal!

Das duas uma: ou se dorme e nunca mais se acorda
e se descansa da existência sem sal,
ou se desperta sabendo das desavenças,
maus entendidos, más crenças: bobagem irreal!...

Coração fibrila desesperado, a falta de ar devasta
o céu da boca, pulmões ressecam diante da visceral
infante: vida besta - maus amores, má casta!

É uma corrida horripilante em prol da eterna
e benfazeja morada astral, minha única esperança!
Viver é um sacrilégio, ofensa divina sem igual!

Brasília - 19/01/2009

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Um Natal de PAZ e um Ano Novo de Reconciliações!

Propósitos
Margaret Pelicano

Finalizemos o ano com as consciências ampliadas pela aprendizagem adquirida!
Que não tenhamos vergonha, nem nojo de recolher uma garrafa de plástico e jogar na lixeira mais próxima,
respeitando o meio ambiente!
Tenhamos coragem de falar com o desconhecido e chamar a atenção pelo lixo jogado no chão!
Iniciemos o ano plantando uma árvore, reconstruindo o mundo original;
Que haja mutirões de solidariedade: doando um livro, ensinando a escrever, levando alento aos doentes nos hospitais,
auxiliando uma creche, um asilo, enxugando uma lágrima, apoiando os demais...
Façamos o poema da bem-aventurança, compreendendo: o silêncio evita desentendimentos;
a coragem dá forças extremas, apliquemo-la incentivando a construção de um mundo novo!
O principal aniversariante de dezembro faria esta lição se estivesse aqui, na passagem do ano:
vestir-se-ia simplesmente, dividiria entre os pobres o que possuísse,
não levantaria falso testemunho, não magoaria, não usaria de ironias, nem deboches...
Assim como transformou água em vinho, transformaria comportamentos dando exemplos
de humanidade, bondade, respeito, solidariedade, trabalho!
Espelhemo-nos nele!
Construamos a PAZ!

Brasília, 08/12/2008
Um Natal de Paz, um Ano Novo de Reconciliações, Margaret

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Homenagem ao amigo Zé Toquinho de São Sebastião do Paraíso

NOS TEMPOS DO ZÉ TOQUINHO
Margaret Pelicano
O disco era de vinil
a eletrolinha era portátil,
funcionava na eletricidade,
raramente dava 'pau'
não tinha problemas de conexão,
era resistente de verdade!...
A máquina de costura era de pedal ou manual
funcionava com arroz e feijão,
fazia costuras e bordados,
ou então bordava-se à mão!
No quintal havia galinhas poedeiras,
frangotes e frangas abastecedores do paladar;
vez em quando um cabrito para o Natal,
ou um porco a engordar.
Os terreiros tinham canteiros
com cebolinha, salsa, coentro,
alface, couve, agrião,
ervas medicinais: poejo, hortelã
quebra-pedra, alecrim, alfazema,
arnica, arruda, alguns até aroeira!...
...boldo, assa-peixe, barbatimão,
cabelo de milho, camomila, capim cidreira,
buxinha do norte, catuaba para manter o tesão;
gengibre, ipê roxo, jatobá,
louro, mastruço, manjericão,
noz moscada, pata de vaca, picão preto, romã;
sabugueiro combatendo sarampo,
sucupira, urtiga, valeriana,
curando, acalmando sem danificar...
Uma vida difícil, mas sem intoxicar!
Tudo 'natureba',
sem agrotóxicos, sem hormônios,
muita criança sapeca:
subindo em árvores, jogando peteca,
brincando de pique-esconde...
Era tempo de sabão Rinso, xarope Melagrião,
sorriso Colgate ou Kolynos,
comprimidos de Melhoral:
'é melhor e não faz mal'!
A lista pode esticar
se acionar mais lembranças:
Na ZYA-4, Rádio Difusora Paraisense,
Miguel era o Zé Toquinho!
Fez tanto sucesso que o tiraram do ar!
Havia também muita mediocridade...
...muita injustiça a se espalhar:
funcionários sem carteira,
trabalho escravo nas fazendas cafeeiras...
Nem tudo era perfeito, mas que dá saudade, dá!
De uma época de confiança em amigos,
tão intensa, pareciam anjos de altar:
sobrevoando os céus de Paraíso,
'minha querida terra 'Natar'!

Brasília - 04/12/2008

http://momentosdepaznaterra.blogspot.com/

http://margaretpelicano.blogspot.com/



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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

"Minha paz voz dou"


PENDENGA
Margaret Pelicano

Aconteceu exatamente como tinha que acontecer, coisas do destino, diz minha filha, diante de minha exposição sobre ser julgada por outrem.
Infelizmente algumas pessoas continuam julgando as outras, vendo-as pela ótica minúscula do seu ponto de vista, quando na verdade cada pessoa tem um tanto de comportamentos, e para cada situação usa 'máscaras' diferentes, socialmente aceitas. Graças a Deus, senão o planeta seria um palco minado em todos os aspectos.
O ser humano, inquieto por natureza, não apresenta a tranquilidade do animal que só desfere arma mortífera por medo ou fome. Infelizmente calunia, ofende, magoa e tem dificuldades para ser humilde. As lições do dia-a-dia não são assimiladas definitivamente e ele incorre nos mesmos erros com muita frequência.
Talvez, por cauda disto, ele tenha criado deuses, ele necessita ser perdoado, encorajado, esperançado, pacificado. E a evolução trouxe Jesus. Mais paciente, mais educador, mais ativo impossível. Discursava e agia. Exemplo maior, não há! Como diz o ditado, falar é fácil, fazer é difícil. Jesus ensinava, dava exemplos, trabalhava.
Tenho uma amiga que ao caminhar com seu cachorro toda manhã, vai conversando com ele como se fosse gente, depois me sorri e diz: Margaret ele me olha e deve imaginar: 'que blá-blá-blá é este'? Que tanto esta mulher fala?
Assim, alguns seres humanos: muitos ouviram Jesus mas não o entenderam. Continuaram e continuam no erro, atropelando a vida do outro, prejudicando, difamando. São maledicentes e nem imaginam a proporção que a fofoca pode tomar: criam pendências, rixas, brigas, discussões, bate-bocas, pendengas. Trazem a infelicidade para amizades ou famílias, por que a ignorância de que são vítimas, não os deixa crescer moralmente.
Que a cada ano que finaliza, possam os seres humanos anotarem na sua agenda de vida os frutos abençoados do bem praticado, das amizades colhidas e sejam sementeiras de alegria e felicidade para outras pessoas, motivo pelo qual, vale a pena nascer, viver e morrer!

Brasília - 21/11/2008

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domingo, 16 de novembro de 2008

que sejamos como a chama, iluminando a vida de outrem....


JAZ A FLAUTA NA CAIXA DA VIDA...
Margaret Pelicano

Nem perdi, nem ganhei! Nem sei
se fiquei quite com o destino;
porém, antes que esteja tudo findo,
vou indo, tropeçando, levantando, caindo...

É, a vida tem destas histórias:
uns com muita, outros...nenhuma glória!
De resto, procuro viver em paz!
nos momentos de depressão,

beija-flores voejam frente ao meu rosto,
passo por deja-vu, vultos assombram
ou embelezam. Suas vozes suaves tombam

sobre meus ouvidos! Adoro o gosto
dos'enjambement'...são a seqüência infinita
da finita vida...jazem como flauta dolorida...

nas palavras que deito aqui!

Brasília - 16/11/2008


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quinta-feira, 23 de outubro de 2008


RENOVANDO ATITUDES
Margaret Pelicano

Recebi de minha prima Cassandra um PPS sobre as belezas da Alemanha.
Agradeci e respondi a ela: -que pena que o Brasil não é assim, limpinho! Nem falo da sujeira política, é a sujeira das ruas mesmo. É o péssimo hábito de jogar por onde os transeuntes passam, o lixo que carregam.
Se antes me orgulhava da limpeza de Brasília, hoje me envergonho. A capital da República, que deveria dar o exemplo, não o faz. Não há ações governamentais do tipo: Lugar de lixo é no lixo! Não há campanhas nas escolas, parece-me que nem todos educam seus filhos para viver em grupo.
Aqui, as pessoas quando descem dos ônibus para trabalhar no Plano Piloto, compram café, bolo, pão e quando se fartam, jogam pelas ruas os copos plásticos, os saquinhos que trouxeram com lanche, caixinhas de cigarros vazias, garrafas de cerveja, palitos de picolé, brinquedos quebrados. Chego a pensar se as mentes também são vazias.
Tenho por hábito caminhar com meus animaizinhos de estimação e vou 'colhendo' estas flores abomináveis de sujeira e poluição. Coloco nas lixeiras, abundantemente espalhadas pela cidade. O coletor está do lado 'do sujeito', mas ele joga até quentinhas com resto de comida nas passarelas e calçadas.
Há tantas campanhas na net sobre tudo, e, ela tem um alcance inimaginável. Proponho uma corrente de bom senso, cirandas de amor ao planeta, crônicas, contos, poesias que aprimorem, refinem nosso espírito, deixando de lado nossa parte animal e contribuindo com o bem da cidade onde moramos.

Brasília - 22/10/2008

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

RECADINHO DA ILZE...QUE GRACINHA...

CANÇÃO DO SOL,DA LUA E DA CHUVA...
Margaret Pelicano
Eu sou desatenta,
esquecida com coisas importantes,
mas lá, no fundo, a alma de criança
brinca com as futilidades...
Muitos pensam sobre minha desatenção:
'absurdo ela esquecer meu nome,escrevê-lo errado!
'Eu também sou assim
e corrijo o amigo!
Situação inimaginável!
No entanto o tempo vai passando,
acelerado ou lento
e percebo que o que antes me incomodava
não me incomoda mais
e o que não me amolava, agora perturba...
Bela pessoa confusa,
um dia sol, noutro lua, noutro chuva...e olhem:
lua tem só quatro fases,
mas eu me multiplico
e me torno obtusa!
Também, sei que não me conheço!
Acho que me conheço!
De repente, lá vem um tornado e me revira,
giro pelo espaço,, fico do avesso!
e me estatelo lá embaixo!
Vivo dizendo, sou assim e assado!
Ah! cabeça des/compensada,
sou nada disto, faço e me desfaço,
da rotina formo laços tristes;
na agitação, prefiro a calma!
Desta forma sou botão de flor,
que murcha e renasce
conforme as estações do ano,
conforme o trem da vida,
e assim, amorosamente vou levando...
Crio saudades arrependidas,
descasco abacaxis,
mato leões todos os dias...
Sinto prazer em cozinhar,
passada a fase da cozinha...começo a odiar!
Bordo as horas,
adoro verdes abobrinhas,
principalmente as feitas por minha mãe
minha rainha...
Meus filhos e neta, tesouros!
Costuro-os todos na bainha!
Por onde passo eles estão comigo enlaçados,
nos pensamentos debruados
amontoados de carinhos!
Amo amigos e deles não me desfaço!
Ilha que sou, às vezes me isolo,
como amante, colo!
Adoro colo e quando acho um...solo!
Em sinfonia decoro na horizontal e na vertical
a canção do Sol, da Lua e da Chuva
Sou rio que deságua em plácidas lagoas,
quando irada corro pro mar até me cansar...
então pego do barco a proa
e começo a marulhar...
Aos marujos encanto com meus versos
quando estes estão no cais
buscando na mulher o universo,
e como sereia serpenteio
seus corpos necessitados de carinho...
Ah! se a noite falasse,
os gemidos nas camas contassem,
haveria mentiras e verdades
andando de mãos dadas pelo mundo à fora,
mas sou rio, e rio corre até morrer no mar
e em círculos volta
e forma nuvens,
e me molho e me refaço no incessante vir a ser
do alinhar a vida, do acontecer, do sobreviver,
do apontar a direção para rejuvenescer!
Sou tanto e não sou nada:
criança, jovem, velha muralha!
Aquela que de nada quer saber,
e aquela que tudo acolhe,
e aprecia amanhecer!
Brasília - DF07/01/2008

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Presente da amiga Sônia Pallone e a imagem é do amigo Felizeca


ORAÇÃO DE ANIVERSÁRIO
Roque Schneider


"Senhor, hoje, completo mais um ano de vida.E meus olhos voltam-se a ti,enquanto meu coração agradece.

Nascer é milagre.Viver é milagre.Dois milagres que chegam de mãos dadascom o mistério.

Eu poderia não ter nascido.E o mundo continuaria sua marcha, sem mim.

Mas eu existo.Estou viva.Rodeada pelo calor humanoe pela amizade de tantos coraçõesque me querem bem:meus familiares, amigos e benfeitores.

Viver é estar a caminho,em busca de constante realização pessoal.Preciso de tuas bênçãos, Senhor:para crescer, para acertar,para seguir em frentecom otimismo, coragem e perseverança.

A vida é uma liturgia..E o meu ofertório de hojeé mais um ano de existência.

Obrigada, Senhor, porque eu existo.Obrigada pela fé que eu tenhoe pela esperança que ilumina minha jornada.

A vida é bela e digna de ser vivida.Obrigada Senhor, Amém."

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escrito por Margaret Pelicano às 17:35 2 Comentários


Menin_ETI...


"Bem sabemos que ela é CAPPAZ"

Ah - não fosse eu - criança
não andava de patinet
e obedeceria a Professora
Margaret ou Menin_Eti

Mesmo sendo u'a menina
tern_e_terna Professora
é de muitos que poetas
a "Musa Inspiradora"

Amante da Natureza
em toda a sua essência
se doa mais que recebe
'sublimando leva a existência'

Defensora dos animais
em todas as humanas instâncias
sempre com muito 'tesão' -
"este alimentador de ânsias"

"Queima por dentro o velho lenho"
na "Procura" por um melhor mundo
e nessa luta feliz mergulha...
na profundidade do profundo

Critica a (des)humanidade
que em "Soneto de Letargia"
cruza os braços - anestesiada
esperando a morte - um dia

Transforma tudo que escreve
seja em Crônicas ou Versos
faz até do inverso - verso
pois é "Filha do Universo"

Ah - como é doce essa menin_Eti
Mulher ... Menina... Amada...
"Tudo e Nada - de braçada,
Eu já não consigo fazer mais nada"!!!
...
Parabéns pelo seu Níver Margaret - menina!
20/Outubro/2oo8

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escrito por Margaret Pelicano às 17:30 0 Comentários

Do meu doce amigo Poeta Londrino...emocionada agradeço!

MARGARET PELICANO
José C. Lopes
À macia candura de um malmequer
adivinho a meiga visão de um sorriso,
o lugar onde a bondade em que acredito
encontra em tua face o arrimo e o mister.
Desfolhar imaginações à confiança
de uma presença plena e criativa,
como quem de tantos sonhos à deriva
sempre faz de seu porto a esperança.
Então viver o perfume e o alento
à fraternidade que o pensamento
colhe em plácido verve e sabedoria.
Bem-querer decantado em poesia
à espontânea alegria e amizade
que semeias em ardente felicidade.
Londres, 20/outubro/2008
Poeta Londrino

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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Três Crônicas sobre Ariano Suassuna

O IMPORTANTE É SER GENTE
Margaret Pelicano

Quando era menino, na época do inverno, observava os rios secos se enchendo de água da chuva. Era um lamaçal a princípio. Depois a água deixava de ser turva, ia clareando, aparecendo as piabinhas, o sol batendo nas escamas que refletiam colorido arco-íres na água, agora cristalina.
Encantado com a beleza da água corrente, do verde que ia se espalhando pela terra árida, costumava deitar-se num tronco caído sobre o riacho, e ali, de bruços, pernas e braços abertos como se cavalga alegremente um cavalo, ficava horas observando a água correndo mansamente; ela feliz da vida por estar cooperando com os povos, completamente integrada à natureza outra vez...
Cena imaginada, deliciada pelo gosto da literatura, fui advertida pela minha filha: ele é realmente um contador de histórias. Estou vendo a cena, como se estivesse assistindo a um filme. Eu sorri e nada comentei, embevecida com o espetáculo humano que se deparava à minha frente.
Nunca mais vou esquecer o que vi, escutei, senti. Puro prazer estético: conhecer vivo ainda, um acadêmico de nossas letras. Eles que só vemos pela televisão. Ele que é tão simples, tão gente, sem aquela seriedade cansativa dos muito inteligentes. Ele, que teve atenção especial para com todos, ele que 'deu mostras de que tudo na natureza se interconecta, sendo todos essencialmente necessários para a manutenção de tudo, que o importante na vida são as relações de auto-ajuda,' ele se chama Ariano Suassuna!

Brasília - 14/10/2008


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As maravilhas de Ariano Suassuna


MARAVILHAS (Adaptado)
Margaret Pelicano

Ele colocou o relógio de bolso sobre a mesa e começou a discursar sobre a cultura brasileira, sobre ser especialista em português medieval, sobre nosso desconhecimento da língua e da nossa cultura. - Gosto de falar e poderia extrapolar, deixo aqui o marcador antigo. Nada de celular, nada moderno, Afirmou que não é contra a tecnologia, mas que ela não pode nos engolir, não pode ser devastadora. Parece-me que os mais velhos correm contra o tempo, tem muito o que expressar ainda, mas a irmã morte vem e os leva sem terminarem o seu trabalho. Lembrei-me por instante do meu pai e do relógio de bolso dele, também querendo ficar, também querendo viver mais...Mas voltemos a Ariano Suassuna...
Pediu para colocar uma música e perguntou: - alguém reconhece esta música? E a platéia gritou: - sim é uma música espanhola. - E esta? Esta é uma música brasileira.
- Pois é. Disseram-me certa vez na Universidade de Pernambuco, que não temos cultura própria. Que nossa cultura é somente um episódio dentro da cultura ocidental. Querem ver como temos cultura? Coloquem aí por favor uma dança erudita do nordeste: um dobrado! A seguir veio um maracatu, depois um maxixe....e sucederam-se exemplos de brasilidade, na música, na dança, nos instrumentos brasileiros. E completou: Isto é só no nordeste, imaginem pelo Brasil à fora. Se reconhecemos uma música espanhola, reconhecemos também uma música brasileira, ora bolas...Se se reconhece a cultura deles, reconhece-se também a nossa!
E os exemplos não pararam.
Certa vez, perguntaram a ele se estava escrevendo outro livro, ele disse: - sim!
- Tem sol? - Tem?
- Tem seca? - Tem.
- Tem cangaceiro? - Tem.
- Ah! Mas estamos cansados deste tema, sr.
E ele: - Como? -Tolstoi, Dostoiévski, só escreveram sobre frio, neve, as estepes russas, as danças russas, o povo soviético, etc. Victor Hugo, sobre a miséria dos seres, a fome a pobreza na França do século XIX, alguns laivos de bondade como a adoção. Eu sou nordestino, devo escrever sobre o que conheço e sinto nas estranhas (adaptado). Agora vejam só: Nunca disse a ninguém como escrever, mas todos querem dizer como tenho que fazê-lo, só me falatava esta! Foi ovacionado pelo público!
Aí percebi, como a gente tem sede de ser como realmente é. Como o grupo social precisa ser mais autêntico, aceitar o outro na sua simples e extrema verdade.
Que fique para nós esta lição de Ariano Suassuna e que celebremos com ele a oportunidade do mestre ensinar e nós aprendermos. Um brinde ao sexto ocupante da cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras, que estava lindo de branco, infestando o auditório de maravilhas.

Brasília - 14/10/2008

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Série de Crônicas sobre Ariano Suassuna


ENCANTAMENTO
Margaret Pelicano

Entendi que tudo é possível, o bem ou o mal, desde que se queira fazer o que se almeja. Entendi a importância do encantamento para a saúde mental, e foi o que me ensinaram neste final de semana.
Ontem fui ao XI Congresso promovido pelo Sinepe, Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF, a convite de um de seus mais dedicados trabalhadores, meu querido amigo Fábio. Ele quase chegou a ser meu genro. Ele, sabedor do meu amor pelas causas sociais, me convida todo ano. No ano passado, não quis ir, estava cansada, com problemas de saúde, sem ânimo, perdi um precioso momento de reflexão. Neste ano, alguns palestrantes fizeram meus olhos brilharem de desejo cultural: Flávio Gikovate: médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor, aquele que se dedica a técnicas breves de psicoterapia (creio que para a pessoa se curar antes de morrer...rs); Amir Klink - oito voltas ao mundo, salvo engano, autor de diversos livros, conhecedor profundo da Antártica! Jesus Cristo! No domingo, Ariano Suassuna digno representante da cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras. Quase enfarto, quase...
Quando meu amigo do coração me falou da programação, não resisti. Em princípio, pensei: eu não acredito que estou me deixando levar pela educação de novo. Não quero ficar me envolvendo, mas acabo sendo levada por ela, por que é inerente ao ser humano o querer aprender. Costumo afirmar que se não educarem as famílias, pouco adianta querer educar os filhos. O que eles aprendem na escola, desaprendem em casa, quando o meio lhes é desfavorável. Mas, ninguém acorda para isto, para resgatar os erros do passado social do país: a manutenção da pobreza, a ausência de escolas, a mão de obra barata advinda da falta de escolarização e de profissionalização. Hoje o Brasil paga um preço altíssimo pelo descaso dos seus governantes. Poucos cidadãos estão preparados para o trabalho.
Bem, lá fomos, eu e a amada filha para a palestra do eminente escritor Flávio Gikovate, onde embevecida resumo os ditos: '"Disciplina! Esta é a força da razão, capaz de vencer a preguiça, é um conjunto de normas'" que precisam ser seguidas para vivermos em harmonia conosco mesmo e com quem convivemos. "A Pedagogia é a medicina preventiva da psiquiatria" ! Quanta riqueza pedagogos de plantão, vocês evitam as doenças futuras; "O planeta sucumbirá se a ambição não parar. Formar-se-ão defuntos e não cidadãos"...
Achei que o congresso caminhava bem, aprendia muito. À tarde, Amir Klink descreveu suas viagens, sua garra, a importância da disciplina novamente para se vencer obstáculos, a importância da determinação ao objetivar a vitória. Aí vim para casa flutuando feito anjo, recordando os 'slides' projetados por ele sobre a Antártica. E a lição que ele nos passou sobre solidão: ficou quase 2 anos sozinho na Antártica e não se sentiu só em nenhum momento, por que sempre teve o que fazer ( será que sente solidão só aquele que não faz nada pelo próximo?)
Porém, meus amigos, o orgasmo cultural veio no domingo: arrepiei, quase chorei, me emocionei ao extremo ouvindo, aplaudindo, desfrutando o imenso prazer de conhecer e tirar fotos com Ariano Suassuna: sexto ocupante da cadeira de nº 32, um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, autor de Auto da Compadecida e a Pedra do Reino. No alto de seus 81 anos, é um grande militante da cultura brasileira, criador do movimento Armorial que resgata e torna erudita a arte brasileira.
Hoje são 11 de outubro de 2008, e como não consigo expressar com palavras a minha felicidade, parece que elas são poucas, posso dizer que, se meu ano encerrasse hoje, eu afirmaria (e afirmo) que belo ano! E digo a vocês, leitores amigos: paremos de falar, e comecemos a fazer o que pregamos. Como Ariano Suassuna! 81 anos de trabalho em prol da dança, música, literatura, artes plásticas, teatro, cinema,, arquitetura, entre outras expressões. Só assim o mundo irá mudar para melhor! Só assim nosso sonho de igualdade, liberdade, fraternidade, irá se tornar realidade. Minhas reverências a todos vocês, cheios de boa vontade para melhorar o planeta!...Estou em estado de encantamento!

Brasília - 11/10/2008
__._,_.___

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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Dueto com Inês Marucci


'A VELHICE É A QUADRA SEM PRAZER DE TODA A VIDA HUMANA' - Antonio Candido/escritor português

Margaret Pelicano

Não adianta lutar, a gente envelhece!
Por mais que não queira, a gente envelhece!
É como o fim da quermesse:
todos partindo para suas casas,
o leilão de prendas chegando ao fim,
terminou o bingo!
A gente envelhece e esquece...
Muito da energia juvenil se vai,
parece o desmontar da arquibancada, no desfile,
cada figurante vai perdendo suas peças!
Acontece o inesperado:
o corpo dói, a melodia do samba desafina,
a mente se corrói em pensamentos negativos,
a pele coça, se descamando,
lentamente as rugas vem se esfumando
como uma pintura velha,
corroída pelo tempo inexorável!
Depois as rugas se fixam,
o rosto marcado vai mudando
a coluna abandonando a matéria espessa...
A gente envelhece e tem medo de ir embora!
Mas tem que ir!
Lá fora, a vida vai dizendo adeus,
como a Miss Universo, balançando a mãozinha de boneca!
A mente implora pra ficar, mas está partindo devagar,
sem perceber e sofrendo pelo terminar...
E ninguém mais quer nos compreender,
e ter a paciência que tantas vezes já tivemos...
Fomos perdendo os direitos,
o corpo se arrasta cheio de trejeitos,
levantar de uma cadeira é um peso...
E os médicos dizem: -agradeça!
São poucos que chegam na sua idade!
Mas nós queríamos ter a sabedoria adquirida,
e apenas 18 anos, esta é a verdade!...
Porém... o espetáculo está no fim,
e entramos no palco para o último ato,
com os olhos marejados de lágrimas,
fazendo muita gente da platéia soluçar,
tentando dizer que há outras existências,
que voltaremos,
mas é nesta que quereríamos ficar!

Brasília - 26/08/2008
A VELHICE
Inês Marucci
A eternidade cabe numa vida parcelada
de diamantes em fase de lapidação,
que nascem para buscar a luz verdadeira
descartando aos poucos o casulo inútil
visando seu vôo magistral de borboleta.
A velhice é vitória concebida pela vida
a quem em missão suas sementes planta
e se apraz pelos frutos que em seu lugar
os colherá a futura geração imaginada.
É fulgor de calmaria que brota nos olhos,
é deleite por sentir o crescimento interior
compensando o que se perde da aparência,
é alegria de romper sempre o novo ciclo
com a coragem parida na doçura da fé.
A velhice é o treinamento ao desapego,
é cumplicidade aos sentimentos nobres,
bagagem essencial e única para nos céus
da infinitude obter-se o perpétuo brilho.
Quem disse que transições são simples,
que não requerem empenho, suor e dor?
A cada uma todavia Deus capacita o missionário
fortalecendo-o com sonhos e experiências,
desafios que tecem e destecem rugas do destino,
e qual passar de botão a rosal perfumado
almas nascem, crescem na oficina da vida
e ascendem abraçando a luz e a paz perene.

São Paulo - 26.08.08

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domingo, 24 de agosto de 2008


DESPERTAR É PRECISO
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer mais nada.
Vladimir Maiakóvski

PARÁFRASE

DECÁLOGO
Margaret Pelicano

1º Chegou em minha casa como raio de sol, forte e determinada!
2º Foi crescendo, se esparramando e eu protegendo sua inocência;
3º Cada dia mais linda, mais inteligente e esperta, tornou-se minha vida;
4º Deixou a própria casa e veio morar comigo; mesmo eu não querendo, mesmo eu me apovorando, mesmo eu me preocupando com o desgaste da relação...
5º Tivemos a primeira briga com 7 anos; e outras menores no decorrer do tempo;
6º Tivemos a segunda briga e foi muito feia; devolvia-a para a mãe, antes que cometesse um ato absurdo! Ela saiu falando impropérios: que ela era única, que eu iria morrer de solidão;
7º Voltou para casa no outro dia, de cara amarrada e foi ficando, ficando...como planta que se alastra pelo chão.Começou a florir de novo, seu sorriso é puro verão!
8º Tivemos a terceira briga: -você não guarda nada, espalha tudo, é uma bagunça...e ela me ignorando: Tratou-me feito papel velho, amassado, sujo, pronto pra lixeira;
9º Pedi uma reunião: - Entrego os pontos, disse! Cansei de brigar com você e nada mudar! Faça o que quiser! Vá, volte, eu estou aqui sempre pra ajudar!
10º Ela nada de braçada, eu já não consigo fazer mais nada!

Brasília - 24/08/2008

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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

VIDA SUBLIMADA
Margaret Pelicano
Sublimando levo a existência
sem amor, sem alforria,
grilhões escravos, vida vazia,
sem temer as conseqüências...
Enfrento a dura lida insossa,
contento-me com o pouco,
o espírito de gritar ficou rouco,
implora o término da violência...
Sem amor, sem respeito, sem gratidão,
sofre calamitosamente o coração,
não há oração ou vibração
que liberte a alma ofegante...
Procuro observar no horizonte,
os perfumes da eterna esperança,
a maria-sem-vergonha virou linda rosa,
a coruja me observa curiosa:
'Por onde anda esta mulher toda noite,
sai a caminhar sem direção,
não vai alegre, nem triste,
meio sorriso, um alçapão...

'É que guardo dentro de mim,
lembranças, eternas felicidades,
com elas e por elas vivo afinidades,
não busco mais fantasias...
Sublimei, definitivamente, sublimei...
se as alegrias me alimentaram,
as decepções me derrotaram,
não quero mais viver de alegorias!

Brasília - 21/08/2008

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A VIDA CONTINUA!
Margaret Pelicano
Gelei como nunca pensei ter gelado!
Esqueci o livro no armário,
as pedras preciosas que me destes,
o sorriso ficou encarquilhado...
Olho para as fotos, beijo teu rosto amado
e me vem à memória os dias de glória...
Sim! por que amar é glorioso!
É deixar de ser encosto da tristeza,
para ficar sorrindo para tudo e nada...
é uma beleza...amar é uma beleza!
Porém, gelou-me no peito,
antes amolecido, o amor paixão...
Como pode, um ser em sã consciência
provocar esta dormência?
Perder o conquistado, o almejado?
Não sei! Perder tudo...restar nada...
nem o som da risada!
Preciso dilatar as artérias da compaixão!
aquecer o peito contrito...
esquecer o aflito, decompor a emoção:
Em flores miúdas por onde passo!
Em pirilampos, quando sozinha,
caminhando pelos espaços...
a imaginação voando, voando...
e não te encontrando mais!
E nem fico triste!
Só uma nostalgia me invade...
Esfrego os pulsos,
acelero a corrente,
ergo a cabeça e antes que me esqueça,
sorrio, envio beijos à lua, olho para frente...
A vida continua!
Brasília - 21/08/2008

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sábado, 16 de agosto de 2008

Que tal alastrar um vírus de alegria e alto astral tornando-se um feiticeiro do bem?


SONETO DA LETARGIA
Margaret Pelicano

Tem dias em que se fixa o estado de letargia:
Pretende-se uma paz que não vêm!
Há um cansaço da rotina,
parece perdido o amor...

O tesão, este alimentador das ânsias
escondeu-se e foi descansar em reentrâncias,
onde não há como o encontrar!
A alegria amua num canto qualquer...

Aí, a melhor saída, é dormir, descansar...
Ou rezar! Em qualquer canto fazer um templo,
botar para fora o vazio, mesmo no frio, escrever...

Rimas? Nem pensar. Conteúdo belo de ser ver!
O comportamento espremido quer sair,
soltar-se como pássaro, espalhar-se até se perder!

Brasília - 15/08/2008


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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

VOCÊ É FILHO DO UNIVERSO, IRMÃO DAS ESTRELAS E ÁRVORES, VOCÊ MERECE ESTAR AQUI!

POETA... SORRIA
Margaret Pelicano
Vou explodir!
Feito a D.Redonda da novela Saramandaia....
Um aperto no peito,
uma solidão incruada,
um silêncio sem jeito
tudo para não dar porrada,
pra não criar confusão,
pra manter calma a situação...
Sei que vou explodir,
como a Wilza Carla
e quando for pedaço nojento pra todo lado,
dos pecados,das feiúras,
das amarguras,dos desamores,
da solidão acompanhada...
Quem sabe alguém acorde e diga:
- Coitada!- Tão boa pessoa!
Estou enojada desta mentirada de vida,
de suportar o insuportável!
De levar porrada
por que tenho amor demais pra dar!
E amor demais sufoca!
Sufoca e confunde as cabeças amadas!
E aí vem a ira,
dá vontade de ficar louca,
rasgar a roupa,
sair pelada,
ficar na solitária da memória
para acalmar,dando gargalhada!
Por que a vida é tão confusa?
Por que é tão complicado viver na paz de Buda!
obter uma harmonia criativa com o meio ambiente,
viver sorrindo como os monges de antigamente,
reverenciando tudo e todos!
'Levou um soco no rosto? Sorria!'
'Levou um ponta-pé na bunda? Sorria!'
'Tornou-se escravo do outro...sorria!'
'É, deu pra desabafar...
Não vou mais explodir...hoje
...fica pra mais tarde!
Pra outra comunicação sem retorno,
pra outra pergunta sem resposta,
pra outro isolamento,
outra taquicardia...
Poeta...sorria! Sorria...
...Brasília - 10/08/2008


Resposta de outra poeta
Marly Caldas
Na verdade a amiga tem razão
Está tudo um caos
E nós no meio encurraladas
De todos os lados são pedradas
Tanta gente machucada
E o pior sem reação
Falta de coragem?
Acomodação?
Desânimo?
Sei não!
Só sei que também entendo sua reclamação
E penso ....haverá solução?
Não será explodir!
Sabe por quê?
Eles vão morrer de rir!
R.J. - 14/08/08

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terça-feira, 12 de agosto de 2008

NA VIDA NÃO EXISTEM PRÊMIOS NEM CASTIGOS SOMENTE AS CONSEQÜÊNCIAS DE NOSSOS ATOS - Francisco do Espírito Santo - Espírito Hammed


SUBIR E DESCER MONTANHAS
Margaret Pelicano

Ninguém gosta de descer a montanha:
impressão de queda, de oscilação,
de que tudo deu errado, ou que é manha...
No entanto, lá embaixo está o vale fértil,

Os rios correm entre elas,
a gramínea repleta de floresinhas
enfeita como suave aquarela,
os animais pastam e seres vivos caminham...

Ninguém gosta de descer a montanha!
Só subir, pois subir é pensar grande,
e vencer na vida, é ter orgulho do feito...

Porém, subidas e descidas...é o jeito!
No topo, firme e forte, vê-se o horizonte!
Embaixo, necessário banhar-se em boa fonte!

Brasília - 11/08/2008

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sábado, 9 de agosto de 2008

PRESENTINHO DO AMIGO SIDNEY


Para a loira.
Sidney Santos

ROSTO

Cabelos dourados
Na tela, espalhados
Paleta do artista
Em sonhos encantados
Carmim, nova cor
Lábios, emoção
Vermelho do amor
Matiz da paixão
Brando aviso
Afeição e ternura
Lindo sorriso
Completa a pintura


Sid ago 2008

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

TRIETO DA PROCURA - WOO, MEG, Mª Luiza Bonini

(?)

Não deixastes rastro
ou quem sabe, eu não pude te seguir;
porém, mesmo assim,
te procuro por todos os cantos e esquinas !


ByWoo

*
Procura
Margaret Pelicano

Procuro por todo canto e esquinas,
a paz que não mais tenho,
queimo por dentro o velho lenho,
a paciência evaporou-se nas sinas...

Partida, esmiuçada, revirada
estão meus cacos,
não é mais de minha alçada
encontrar-me nos descaminhos...

Que sei de mim:
que sou rebelde, calma e violenta,
descontrolada e pacata,
tudo depende de quem me apoquenta!

Queria ser firme, carinhosa, tolerante
até não mais poder...ser calma,
mas um furor possante
costuma me invadir a alma...

E assim vou levando a vida:
magoando e sendo magoada,
esqueci de trilhar boa estrada
e ser pacífica, pacífica, até ser nada!...

Brasília - 06/08/2008

*

Sigo teu rastro,
persistente

Como a chuva,
à torrente


Será assim,
eternamente

Maria Luiza Bonini


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terça-feira, 5 de agosto de 2008

61. Alguém quer ouvir minhas histórias?

TENHO TANTAS HISTÓRIAS PARA CONTAR
Margaret Pelicano

Dentro de minhas lembranças, tanta história velha,
muros velhos sem reboco, cheios de limo,
casas antigas com samambaias sobre as telhas,
meus pulmões navegando na umidade do ar
e eu sufocada com a bronquite asmática...

Dentro de minhas lembranças, uma saudade doída
da infância de pé no chão, de escalar montanhas
quando viajava para Ouro Fino!
A Maria Fumaça apitando e nos sujando de fuligem,
os animais pastando o verde abundante
e a gente se deliciando, brigando para ficar na janelinha!

Dentro de minhas lembranças, camas de mola,
colchões de pena, travesseiros de paina
que me davam uma alergia danada
a caneta de pena, para ser molhada no tinteiro,
o mata-borrão secando quando a tinta pingava...

bem no meio do trabalho aquela manchona horrorosa,
e a gente molhava a borracha na saliva
e ia passando com cuidado para não rasgar o papel...
Certo dia ensinaram-me a limpar o trabalho
com água sanitária, bem devagar...

Meu Jesus Cristinho, nas primeiras vezes,
foi uma 'meleca' só, depois tudo foi dando certo,
como este poema em prosa onde conto minhas histórias
tentando deixar para a posteridade
a maneira de se viver nos idos de 1960...

Por que para o tempo, a idade é inexistente!
Naquela época muitos cavaleiros pela rua, a galope...
muitos moleques rodando pião,
muitos muros sendo escalados,
botinas chiadeiras, sapatos apertados...

não se comprava sapato sempre, era uma vez no ano,
olhe lá, duas! Menos desenganos!
O chapéu de um homem sobre a mesa
mostrava o respeito que se devia ao dono da casa!
Confiava-se num fio de barba de qualquer macho!

Dentro das gavetas de minhas lembranças, tanta história velha....

Brasília - 04/08/2008
http://momentosdepaznaterra.blogspot.com/

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Uma vez que as guerras nascem no espírito dos homens, é no espírito dos homens que se devem erguer as defesas da paz. Archibal MacLeish

Infância
Cida Micossi

A casa da minha infância
Quase não visito mais
Fica numa cidade pequena
Lá, onde existe paz.

Eu nada sabia da vida
Mas vivia em segurança
Pois era cuidada e querida
Na cidade da minha infância

A lembrança da família
Que meu caráter formou
Me traz imensa nostalgia:
Hoje, a filha ao lar retornou.

Vejo o sol brilhando no céu azul,
Folhas da jabuticabeira ao chão;
Sinto o vento de leve em meu corpo,
É outono na estação, é outono em meu coração.

Presenças constantes, lembranças infindas
da minha infância, quando eu era garotinha.
Ouço as maritacas em coro na árvore vizinha
Hoje aqui me dando as boas vindas.

Elas quebram o silêncio profundo
Que vem de dentro da casa vazia
Tal qual a serenidade em meu ser
Com essa paz que há muito eu não sentia.


(gypsy, 23-04-2008, em Descalvado)

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"Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera". Che Guevara


Aos que Odeiam as Árvores!
(Às Árvores de Porto Alegre!)
J.J. Oliveira Gonçalves

Arrancam da árvore a pele
Corações vis – inclementes!
O “racional” os impele
vândalos são! (Ou doentes?)

Pelas calçadas tristonhas:
Anônimas... mutiladas...
Ainda, ontem, tão risonhas
Hoje, ao léu – vilipendiadas!

Árvores gemem – coitadas!
Desprezam-lhes sombra e flor...
Quantas (nuas... descascadas!)
Em silente... acerba Dor!

Autores desses maus-tratos
Por arrogância (ou prazer?)
Covardes seres – ingratos
Um dia hão de sofrer:

As próprias Dores que infligem
À boa Mãe-Natureza!
Zombando, (hipócritas!), fingem
Que sabem o que é Beleza...

Em meu bairro, que tristeza
Tão cruel devastação:
A covardia, a torpeza
No ato insano da mão!

Quem a árvore suplicia
Sem dó, assim – sem piedade
Do Criador mata a Poesia
Peca por pura maldade!

Ah... quando chegar sua hora
Há de colher da “boa” ação:
Dor igual que causa agora!
(Terá de um tronco o caixão?)

Pelo Amor ou pela Dor
É a Lei do Aprendizado!
Quem mata da Vida a Cor
Ao Escuro é condenado!

Sobra ao poeta a Esperança
Saber que um dia o incréu
Vai (por justiça ou vingança?)
Plantar árvores no Céu!

Pois o Bom Deus – Pai, Criador
(Que na árvore está também!)
Junta à Sentença o Amor:
Que o Ódio sucumba ao Bem!

Porto Alegre, 17 de dezembro/2004. 17h42min - HS
jjotapoeta@yahoo.com.br - http://www.jjotapoeta.art.br/


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escrito por Margaret Pelicano às 18:18 3 Comentários

domingo, 3 de agosto de 2008

Foto da Jabuticabeira - Homenagem à Cida Micossi - Amiga/Confreira/Cappaz


AMANDO UMA ÁRVORE
Margaret Pelicano

A velha jabuticabeira, palco das minhas artes circenses não está mais lá. Emociono-me ao sabê-la derrubada! A cidade cresceu muito e o pomar de meu bisavô foi dividido em lotes e vendidos para construção de casas.
Minhas histórias, agora, só pertencem a mim. Não tenho com quem compartilhar meus medos, minhas ousadias, minhas criancices....
Sempre pedi a ela para não morrer antes de mim, para eu não me entristecer...longa existência humana, breve existência das árvores. Eu a queria como um cedro, ou carvalho velho, destes abandonados em fazendas, com tantas narrativas em cada célula rugosa de velhice. Mas não, derrubaram-na! Aliás, já disse e repito: não reconheço mais a rua da minha infância: tem mais sobrados que gente morando!
Quando minha jabuticabeira era jovem e eu menina, eu me dependurava em seus galhos, ou subia até as pontas mais altas. Lá em cima, as jabuticabas eram mais doces e maiores. Certa vez, resolvi brincar de cirquinho, joguei o corpo para baixo, como os trapezistas fazem, o galho quebrou e as dores nas costas foram lancinantes. Aguentei calada, se não apanhava por tanta travessura.
Eu dizia a ela, ao ficarmos sós: quando morrer, quero que me enterrem sob você, como vejo nos filmes americanos! Americano não tem medo de fantasma, enterra seus mortos no quintal da própria casa, conversa com as lápides, e cuidam dos túmulos com tanto carinho... Quero ser seu adubo e viver abraçada ao seu tronco! Hoje eu diria, quero viver abraçada ao seu espírito. Ou então: onde estão os troncos cortados de você? Quero um deles para pôr na minha casa e em estado de tristeza, ficar sentada sobre você como uma preta velha, inspirando sua fortaleza.
Mas, minha árvore se foi, a predileta, a que tinha jabuticabas do mato, selvagens, que faziam ploc ao estourar a casca e o sumo doce escorria por minha boca à dentro, e sinto vontade de chorar; e uma raiva oculta do progresso, uma faca de dois gumes, melhora algumas vidas, e destrói a muitas!
Estive na Disney, ano passado! No Animal Kingdon há uma árvore que chama a atenção, feita de fibra de vidro, com animais no tronco em alto relevo. Bonita, viu? Porém, jamais, em tempo algum, se equipara à minha jabuticabeira, ou qualquer outra árvore brasileira. E, se não cuidarmos com carinho de nossa consciência crítica, em pouco tempo só teremos árvores de fibra de vidro! Que Deus nos livre e guarde desta irresponsabilidade!

Brasília - 03/08/2008
http://momentosdepaznaterra.blogspot.com/

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escrito por Margaret Pelicano às 21:11 2 Comentários

Chega de Egos Suplantes como dizia Zelisa Camargo


ESTOU FARTA DO LIRISMO COMEDIDO
Margaret Pelicano

Estou enjoada da overdose da mesmice:
Tudo tão igual, as pessoas, os preconceitos,
as ganâncias, as corrupções, os corruptores,
de maneira geral...tudo tão aceito...horrores!

Chego a me entediar, falta-nos originalidade!
Até a arte é a mesma, lá, muito longe...diferente!
Arg! Vontade de vomitar! Por mim mesma!
Fico sem ar, quanta besteira, a gente se mente:

Mente por viver o inaceitável! Ter o mesmo passado
sempre! Imaginar um futuro semelhante a nossos pais!...
Não aguento, as ânsias me consomem!
Poema sobre amor....Ave Maria! Sabse o que ele é?

Não suporto mais letras banais,
cores insuportavelmente repetidas,
sinto-me banida, falta-ma transcendência,
somos congruentes, absolutamente iguais!

Quando estou assim, quero mais é voltar pro casulo
ao grande útero da terra
pra depois tentar brotar flor novamente!
Isolo-me, silencio, quero ser gente completamente!

E como tal, desnudar-me satisfatoriamente!
Mostrar o meu lado visceral, instintivo, falho...
Não sou o sol, para nascer todo dia igual!
Tenho minhas iras, meus ódios

Sou como fole, abro-me, fecho-me,
tenho defeitos e bondades, gentilezas e falsidades...
Ah! que banalidade! Estou farta do lirismo comedido!
Obrigada Manuel Bandeira! Obrigada!

Brasília - 03/08/2008
Homenagem à Zelisa Camargo

http://momentosdepaznaterra.blogspot.com/

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escrito por Margaret Pelicano às 20:12 4 Comentários

domingo, 27 de julho de 2008

Margaret Pelicano
por Lucia Trigueiro


Eterna expressão
criança suave fluido açucarado
sublime doce mel delicadeza
entonação especial
bendita seja
pétala como pluma simpatia sorriso divino
inspira encanto emocional beleza árvore essência
espírito sólido de um jasmim
nascente olho-d'água
corrente límpida cristalina
pureza d'alma és poeta da paz
sagrado amor universal
eu te amo

Jesus te abençoe amiga querida
um beijo fraterno
Lucia Trigueiro
Brasilia27.07.2008

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escrito por Margaret Pelicano às 20:10 1 Comentários

QUISERA TER UMA CASA, DEPOIS UMA ÁRVORE NO QUINTAL, DEPOIS UM BANCO EM BAIXO....DEPOIS...OUVIR MINHAS CONFIDÊNCIAS!

O CANTO DO CURIÓ


Havia uma velha árvore no jardim da velha casa, da velha senhora.

Viveram juntas muitas estações e à sombra dessa amiga a senhora sonhou seus mais belos sonhos, viveu seus juvenis romances e muitas vezes chorou. A companheira que também já fora jovem, despejara sobre a cabeça da menina, depois jovem e hoje uma velha senhora, suas flores e durante muitas primaveras, se desfolhara em muitos outonos dourando o chão e aquecendo invernos de esperas.

Juntas dividiram seus momentos mais importantes ao longo do tempo. Compartilharam emoções, flores e frutos e misturaram suas lágrimas em tempo de sofrer. Sabiam muito uma da outra e se compreendiam, num mundo só delas.

Os pássaros de todo o céu sempre ali pousavam e, cantando, as embalavam. Ouviam suas confidências trocadas em tardes de devaneio. A cada estação voltavam, faziam seus ninhos e à sombra das folhas amigas cantavam seus cantos de amor.

E assim a velha senhora e a velha árvore, sempre juntas, viam o tempo passar e menos pássaros a cantar.

Como o tronco da árvore foi sendo marcado por intempéries, adquirindo majestosa aspereza que contavam uma história de vida, também o rosto da menina que se tornou uma bela jovem e, com o tempo, uma velha senhora, trazia em sua pele fina, marcas onde risos e lágrimas desenharam delicados arabescos. Os cabelos brilhantes que a árvore cobrira de flores de primavera e folhas douradas de outono já não eram os mesmos. Passara do colorido da mocidade para a imaculada brancura que o tempo tornara em cintilante coroa.

A velha senhora, sempre junto à companheira, usufruía momentos de intimidade, compartilhando seus amores e suas dores, fossem ventos violentos, brisa suave ou chuva refrescante, viviam seu outono. As chuvas, se lhes davam presentes dos céus, também deixavam-nas separadas, porém nunca distantes na sua perfeita comunhão. Seus corações vibravam na mesma sintonia, mesmo tendo entre elas um prosaico vidro de uma janela.

Assim os anos se sucedendo, a vida acontecendo e cada uma florescendo, dando frutos e enfeitando o mundo com suas vidas, viram chegar o tempo em que ficaram sós naquele jardim deserto da mansão vazia e cheia de silêncios. Vozes que voltavam, em ecos do ontem, ecoavam pelas paredes gélidas, antecâmara de um túmulo.

Muitas vezes se perguntavam qual das duas partiria primeiro, se a velha arvore, abatida pela ventania, com seus fracos e desnudos galhos ou a velha senhora com suas trôpegas pernas e sua vista cansada.

Os pássaros ali já quase não pousavam e os ouvidos da velha senhora já não ouviam muitas vozes ao seu redor.

Uma tarde, a velha senhora, sentada junto à amiga de tantos viveres compartilhados, em silêncio meditava. Não precisavam se falar tanto se conheciam. Suas saudades eram idênticas e seus sonhares tornaram-se tímidos. Perderam o vigor sabendo, porém, que qualquer que fosse o destino de cada uma delas a outra estaria presente e, pouco esperando, ainda sonhavam utópicos sonhos.

Voando um vôo jovem, cheio de confiança, exibindo o brilho de sua plumagem luminosa, cansado de um longo vôo para suas frágeis asas de pássaro menino, ali pousou um curió deixando que seu canto inundasse aquele jardim deserto onde havia apenas uma velha árvore e uma sonolenta senhora.

Como milagre, a velha árvore balançou seus ressequidos galhos onde poucas folhas teimavam em viver últimos verdores e, com desenvoltura inesperada, a velha senhora aprumou suas costas cansadas apurando seus ouvidos e surpresas deixaram aquela voz de milagre envolvê-las, penetrando-lhes todos os sentidos. De seus corações às suas peles enrugadas renderam graças à tão inesperada surpresa.

O jovem curió, ignorando o que acontecia tão perto dele e o milagre que produzira, ficou por instantes planejando vôos mais longos. Sacudindo sua mocidade, com suas plumas eriçadas, partiu deixando nas duas amigas um alo de ilusão.

A vida não mudara tanto. Ainda havia um jovem curió para trazer-lhes sopros de vida, cantos de esperança. Talvez um dia voltasse...

Você conhece algum curió que canta em velhas árvores, para velhas senhoras em jardins vazios e cheios de silêncios?

Conte esta história para ele, quem sabe um dia ele cantará para nós?

Maria Augusta Christo de Gouvêa - BH - 82 anos de luta em defesa da natureza!

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escrito por Margaret Pelicano às 15:19 1 Comentários

sábado, 26 de julho de 2008

Os humilhados serão exaltados

" NÃO JULGUEIS PARA NÃO SERDES JULGADOS"
Margaret Pelicano

Não é o trabalho que me cansa, é o psicológico, a guerra fria, as ironias ferinas, as brincadeiras de mau gosto, a sutileza fina da piada, a pequenez de espírito vez em quando, mostrando a evolução não concluída, a versatilidade da usura; um esforço para crescer, impedido pelo tolhimento da alma embotada; a grosseria desnecessária, as alfinetadas, a dificuldade para esquecer, ver o outro por prisma diferente!
Aí me lembro que é preciso perdoar os pequeninos, e às vezes não consigo nem desculpar, que dirá perdoar! Como diria D.Filhuca: - desculpar eu desculpo, perdoar é só Deus!
Admiro a pobreza abundante: só tem feijão e sal? Dá para todos comerem? Amém Jesus, todos vão se alimentar por igual: o que bebe e o que não bebe, o que trabalha e o que não trabalha, o bonito e o feio, o que estuda e o que não estuda, o louco e o são! Tudo tão igual, tão sem preconceito, tudo tão perdoado, tão aceito, tão humanizado!
Mas, admirar, tem lá seus defeitos, admito! Nem sempre aceito, nem a pobreza de espírito, nem a falta de vontade de resolver 'as paradas' com uma boa conversa, que não deixe a alma magoada! Que cada um não saia para um lado, a vida toda, com o espírito choroso, sem encontrar a falha! Aquela falha que vem se avolumando, tirando lascas do vaso do amor, até que ele feio, carcomido, fica ali jogado num canto, sem enfeitar nada. Justo ele que deveria estar no centro da mesa mais bonita, no meio da casa!
É, é difícil conviver quando a dupla acha que está certa, quando o outro é errado. Difundiu-se a idéia: "sem culpa"! A partir de então, todos podem errar! Todos podem magoar! E o pior, todos podem julgar, e mandar, e fazer e desfazer da vida do outro! Tudo é sem culpa! 'Estou certo no meu ponto de vista, o ponto de vista do outro que se dane!'
E assim, o outro recebe uma enchurrada de informação, toma decisões de que se arrepende, simplesmente por que no círculo familiar ou de amigos, ninguém tem culpa de nada. Ficou bom demais viver assim para alguns!
E as terapias resolveriam estes problemas que estão baseados no diálogo franco? Nem por todo o frango do mundo. As pessoas tem a maior dificuldade de se encontrar e entender o outro. Pensam que se conhecem, estão enganados.
Ouvi certa tarde: fulana é preguiçosa, não gosta de trabalhar, só o fez por que não tinha jeito mesmo, se não, não sobreviveria! Baseado em que uma pessoa diz isto da outra, sem a conhecer direito? Nunca soube que numa época em que não havia máquina de lavar, esta pessoa lavava colchas de casal na mão, debaixo de chuva, toda a roupa da casa, colocava para coarar, depois enxaguava em várias águas. Quantas vezes tirou baldes e baldes de água da cisterna, por que faltava água na rua onde morava; que trabalhou fora, cuidou da casa e dos filhos conforme podia, repassou o que aprendeu e que hoje, já velhinha merece a preguiça que Deus, finalmente lhe deu?

Brasília - 26/07/2008

"Cuidado ao dividir suas preocupações e problemas com os outros. Lembre-se queDeus nunca dá a cruz mais pesada do que você possa carregar, mas isto não o capacita a avaliar o peso que o outro pode suportar.Orlando Ferraz"


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escrito por Margaret Pelicano às 20:13 5 Comentários

poesias, contos, crônicas, cartas