Margaret Pelicano

sábado, 2 de fevereiro de 2008

A Face Crispada da Poesia




A boca em lira poética declama,
protesta, agoniza, delira, reclama,
tertuliza a voz de amor vencida
absorta pela insatisfação de quem muito ama...

Ganha quem ouve a declamação,
ganha quem a melodia inexplicável canta,
tentando explicar o inexplicável mantra,
que deglute as iniquidades e as inquisições...

Crispa-se o rosto do poeta em pesares
ao ouvir de si as palavras escritas;
no país do imaginário
sonâmbulo, exila-se na alma aflita...

No purgatório dos desejos insatisfeitos
a boca em lira poética canta
a dor tratada com luva de pelica
e ouve o trinar das invenções e verdades da poesia...

O sândalo santifica cada alma
eternamente enlutada, persignada
em sentir junto com o poeta os ruídos:
de amor ou das faces esfaceladas...

Lá fora o passarinho canta
os assomos das belezas e esperanças,
a clave de sol inicia nova partitura,
o maestro rege o coro de melodiosas vozes;

e a caminhar todos os seres continuam,
a passos largos ou manquitolando,
vão andando, cumprindo o destino humano
enquanto aqui dentro, vibra a corda da poesia!

Brasília - 06/09/2007

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escrito por Margaret Pelicano às 18:30

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